D fim do comunismo

O comunismo soviético falhou pela falta de respeito pela liberdade individual e, em particular, pelo desrespeito pelo direito de propriedade e pelas regras básicas da economia de mercado. A isso se somou todo um modelo totalitário que impedia desde a liberdade de expressão à liberdade de religião. Em 1989, ruiu. Trinta anos depois, com a falência do "Estado Social", estaremos a assistir ao fim do socialismo e da social-democracia?

Opinião

30 anos depois do fim do comunismo soviético, assistimos à lenta agonia do socialismo e da social-democracia na Europa.

O comunismo soviético falhou pela falta de respeito pela liberdade individual e, em particular, pelo desrespeito pelo direito de propriedade e pelas regras básicas da economia de mercado. A isso se somou todo um modelo totalitário que impedia desde a liberdade de expressão à liberdade de religião. Em 1989, ruiu.

Durante anos na Europa, e mais além, os defensores do socialismo e da social-democracia, uns centímetros mais à esquerda, uns centímetros mais à direita, prometeram um estado social que protegeria todos os cidadãos, na doença, na velhice, no desemprego. Asseguravam que iriam garantir, cada vez mais, serviços públicos de qualidade, boas escolas públicas, boa assistência médica, excelentes hospitais, um sistema nacional de saúde tendencialmente gratuito. Além disso, uma economia próspera e dinâmica, boas infraestruturas, habitação própria ao acesso de toda a gente.  O que se vê, o que se viu, o que se sente, não é nada disso, é antes um sentimento de impotência e incapacidade crescente por parte do estado social de proteger os cidadão face às adversidades da economia, dos mercados, da vida do dia a dia. Concomitantemente com o esquecimento da sua própria razão de ser – o estado social - os partidos socialistas e social-democratas foram-se desligando de conceitos básicos para a sobrevivência da sociedade, a proteção da criança não nascida, a proteção da noção de família e a defesa da família como célula base da sociedade, a noção de estado-nação como contraponto à globalização, a defesa das tradições e o respeito pela religião.

Portugal ainda resiste à tendência generalizada na Europa. A eleição do líder do PSOE, em Espanha, para presidente do governo, quase sem representação parlamentar “que se veja”, quase que fazia esquecer, por momentos, que em França o PS desapareceu com Macron, que em Itália o PS é um fenómeno perfeitamente residual face à ascenção das novas forças de Salvini e Di Maio. Que na Alemanha, a CDU tem que guinar à direita, pressionada pelo parceiro de coligação Bávaro, a CSU, este por sua vez pressionado a virar à direita, na Bavária pelo seu parceiro de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, em ascensão. Quanto ao Reino Unido, a saltar fora do barco desde o referendo, e ao Leste Europeu, nem vale a pena tecer comentários.

Com vista a vender a sua marca internamente, o PS português, em conjunto com o PSOE aqui ao lado, ensaiam timidamente uma frente pró-europeia em defesa dos “nossos valores comuns”. Trata-se de um eixo que abarca Lisboa, Madrid, Paris e Berlim, com vista a fazer frente aos “anti-europeus” instalados no poder em Roma, Viena, Budapeste, Varsóvia, etc, etc. Mas curioso eixo aquele de pró-europeus: não era a Chanceler Merkel a culpada de todos os males económicos e financeiros da Europa do sul? Não foi Macron o carrasco do PS francês de Hollande?

Em Espanha as primárias do Partido Popular ditaram a passagem à segunda volta (caso não se chegue a um acordo entre candidaturas) de Pablo Casado, concorrente que foi o escolhido dos movimentos pró-vida e pró-família e anti-independentistas. A sua ascensão no PP tem sido notória contudo o historial de promessas não cumpridas deste partido nos domínios do aborto e da defesa da família não deixam os votantes pró-vida do PP verdadeiramente descansados. Desta forma, aquando de futuras eleições, designadamente as Europeias, mesmo com Pablo Casado, esta facção do eleitorado, terá sempre de escolher entre quem lhes der mais garantias, seja um PP mais conservador no aborto e casamento gay, seja uma alternativa de extrema–direita como o partido Vox, também em ascensão.

JG

Julho 2018