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EDITORIAL: Todos os políticos, de todos os quadrantes, anseiam por oferecer aos portugueses um milagre económico que sabem que não está ao seu alcance e é melhor nem sequer prometerem. A economia portuguesa, e as suas congéneres europeias, estão assentes sobre alicerces de barro, em vez de cimento, em termos de capital humano e em termos de sociedade. Não se fazem omeletes sem ovos e também não se constrói uma economia próspera e dinâmica sem sangue novo e sem gente em idade ativa. Uma sociedade com cada vez menos jovens e cada vez menos berços, e cada vez mais seniores e cada vez mais cadeiras de rodas, é difícil de gerir, e tem dificuldade em avançar. Mais concretamente, ao construir uma sociedade toda ela assente no controle de natalidade, na anticonceção e na eliminação de nascituros através do aborto, condenou-se a economia a um declínio inevitável, em Portugal como na Europa. Sublinhe-se: uma sociedade assente na recusa da natalidade gera uma economia insustentável e inviável a longo prazo, e nós estamos exatamente no longo prazo desse processo de décadas. Por mais que os poderes públicos façam, por mais que os políticos prometam, por mais medidas que tomem, estaremos sempre enredados num processo de distribuição de magras fatias de recursos disponíveis, retirados de uma tarte que está sempre a encolher, e estaremos sempre condenados à estagnação, e ao declínio, económicos. Estaremos sempre a lutar contra a maré com uma pá.

OPINIÃO: Os portugueses, e os europeus, andam há anos à procura da saída de um labirinto económico. Por mais que se faça, volta-se sempre ao local de partida. A ansiedade cresce. A economia não arranca - à exceção da bolha turístico-imobiliária, que não durará eternamente. Salários estagnados há anos, pensões de reforma com cada vez menos poder de compra. Serviços de saúde sem pessoal, com pouco equipamento, sem meios. O mesmo na educação pública. Infraestruturas em crescente estado de degradação ou saturação, seja transportes públicos, caminhos-de-ferro, aeroportos, segurança, forças armadas. A carga fiscal, pesadíssima. Rendimentos e muitos sectores económicos estrangulados pelos impostos e também pela carga burocrática que o Estado impõe a cada movimento, a cada transação, a cada iniciativa.

A economia são pessoas. Imagine-se um país fictício de 10 milhões de habitantes em que todos eles trabalham e recebem um salário uniforme de 1500 € por mês, 18000 € por ano, perfazendo um PIB anual de 180 mil milhões de euros. Imagine-se, agora, que nesse país, só metade da população trabalha e que é preciso que os 5 milhões de trabalhadores entreguem ao Estado metade do que ganham para o redistribuir em gastos diversos, incluindo pensões de reforma, subsídios de desemprego, hospitais e assistência médica, educação, investimentos e gastos em infraestruturas, forças armadas e segurança pública, serviço da dívida, etc. Cada trabalhador ativo obtém assim, em média, 750 € de rendimento mensal e entrega a outra metade ao Estado para financiar todo o processo de redistribuição à metade não ativa da população. Esse país é, mais ou menos, Portugal. Atualmente, 3.5 milhões de portugueses têm mais de 60 anos, cerca de 2 milhões têm idade inferior a 20 anos. Escusado será dizer que o rácio de pessoas mais velhas face ao número de crianças e jovens tem aumentado consistentemente desde há décadas, e a idade média da população foi aumentando paulatinamente, e acelerando a partir do momento em que se dá uma fuga maciça de jovens, ao ritmo de 100 mil por ano, nos últimos anos de crise aguda. No estado atual do país, em termos de saldo fisiológico, ou seja de defice de natalidade, morrem todos os dias 200 pessoas e nascem diariamente 150 crianças. E o país, no seu conjunto, envelhece todos os dias mais um pouco. Em termos de estrutura familiar, há décadas atrás, havia em Portugal cerca de 2.5 milhões de famílias, com um agregado médio de 4 pessoas, hoje há 4 milhões de unidades familiares, com uma dimensão média de 2.5. Verificam-se 34 mil casamentos por ano, e registam-se 22 mil divórcios por ano.

Todos os políticos, de todos os quadrantes, anseiam por oferecer aos portugueses um milagre económico que sabem que não está ao seu alcance e é melhor nem sequer prometerem. A economia portuguesa, e as suas congéneres europeias, estão assentes sobre alicerces de barro, em vez de cimento, em termos de capital humano e em termos de sociedade. Não se fazem omeletes sem ovos e também não se constrói uma economia próspera e dinâmica sem sangue novo e sem gente em idade ativa. Uma sociedade com cada vez menos jovens e cada vez menos berços, e cada vez mais seniores e cada vez mais cadeiras de rodas, é difícil de gerir, e tem dificuldade em avançar. Mais concretamente, ao construir uma sociedade toda ela assente no controle de natalidade, na anticonceção e na eliminação de nascituros através do aborto, condenou-se, a longo prazo, a economia a um declínio inevitável, em Portugal como na Europa. Repetimos: uma sociedade assente na recusa da natalidade gera uma economia insustentável e inviável a longo prazo, e nós estamos já no longo prazo desse processo de décadas. Por mais que os poderes públicos façam, por mais que os políticos prometam, estaremos sempre enredados num processo de distribuição de magras fatias de recursos disponíveis, retirados de uma tarte que está sempre a encolher. Estaremos sempre a lutar contra a maré com uma pá.

A concorrência do futuro, entre povos, nações, economias, será uma luta, antes de mais, pela força de trabalho mais competitiva, educada, especializada, empenhada, jovem. Quanto mais cedo se começar a mudar o paradigma de sociedade, mais cedo se obterão resultados. É um processo de anos e décadas, mas a alternativa é deixar afundar lentamente a economia nacional, e europeia, num mar de irrelevância face aos poderes emergentes nos 4 cantos do globo. Para mudar é necessário líderes políticos, mas também intelectuais descomprometidos com o sistema, e é preciso que as pessoas, os cidadãos-eleitores, entendam que é preciso mudar de vida, e mudar de filosofia de vida, radicalmente. Se já foi possível no passado viver, com dificuldades é certo, em famílias com 10 filhos, porque não, hoje, aceitar como normal famílias de 4, 5 ou 6 filhos? Naturalmente que tudo isso exige uma postura do Estado em apoio das necessidades das famílias e das crianças, e exige um ambiente de respeito e responsabilidade que é incompatível com leis absurdas como a lei do aborto, que é incompatível com uma atitude de irresponsabilidade no relacionamento entre jovens, que é incompatível com a desvalorização da família, descaracterização do casamento, facilitação da rutura das relações conjugais. Mas se não quisermos alterar o status quo, radicalmente, corajosamente, então estamos definitivamente aniquilados.

Editor do Site

Setembro 2018