Z populism explained

Editorial/Opinião:

Democracia? Durante anos e anos desvirtuaram-na, corromperam-na, defraudaram-na, desfalcaram-na, esvaziaram-na de conteúdo, escavaram-na por dentro, tornaram-na oca, secaram-na. Tornaram a verdade mentira e transformaram a mentira em verdade. Matar um filho no ventre materno tornou-se um direito e um ato “natural”. Opôr-se à “catequização” da ideologia de género, defender os filhos e a família de teorias e imposições contra-natura passou a ser um atentado à liberdade e à lei.

Durante anos e anos defenderam a tolerância e transegiram com a droga, com o tráfico, com o consumo, mas tornaram-se intolerantes para com a religião; durante décadas aceitaram todas as formas de permissividade, obscenidades, blasfémias, mas mostraram-se sempre avessos a quaisquer códigos ou condicionamentos morais. Não contentes com a desagregação da família tradicional, inventaram formas inovadoras de barbárie e exploração, barrigas de aluguer, procriação em stand-alone por mero capricho feminista, utilização de embriões como ratos de laboratório.

Eles pegaram na velha democracia, estriparam-na de valores e princípios, substituíram a justiça, a ética, a moral por novos conceitos de sociedade aberrantes, por novos modelos de família sem sentido, por pseudo-direitos absurdos e autofágicos, do aborto à eutanásia, por pseudo-liberdades destrutivas da sã convivência social. O mal que fizeram à sociedade e à família, fizeram também ao trabalho e ao dinheiro. Faliram o sistema bancário e financeiro, especializaram-se em corrupção nos negócios, na vida privada, na vida pública. Arruinaram e endividaram estados, desvalorizaram até ao zero o trabalho honrado e esforçado, importaram de longe mão-de-obra escrava e subcontrataram trabalho infantil noutros continentes.

Populismo? Quem semeou, quem fabricou, quem inventou toda esta anti-ideologia, todo este movimento anti-sistema? Como brotou, de repente, todo este neo-nacionalismo, todo este autoritarismo que varre a Europa e a América, de Norte a Sul? Esperariam eles que o povo e o eleitorado se mantivesse para sempre anestesiado e dócil? Esperariam eles que os cidadãos continuassem eternamente adormecidos pelos cantos de sereia de televisões cheias de futilidades e jornais cheios de opinião bem-pensante em defesa de um mundo fechado sem saídas, que só interessa aos “senhorios” do sistema? Esperariam eles que, ao verem as suas esperanças defraudadas e o seu futuro comprometido, o povo não reagisse? Esperariam eles que, tendo roubado o futuro a jovens, e menos jovens, sempre a coberto da democracia, esta não fosse também uma das suas vítimas?

Editor do Site da FPV

Outubro 2018