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Uma ponte Vasco da Gama é um investimento a 50 anos, uma auto estrada é um investimento a 30 anos, túneis, vias férreas, aeroportos, são apostas para décadas. Porque não apostar a sério na natalidade? O retorno é também a 20 ou 30 anos mas, sem ela, tudo vai por água abaixo.

Os políticos, sozinhos, só por si, não têm força para mudar o estado de coisas. De longe em longe, um líder visionário consegue pôr em movimento a mudança imperativa e revolucionar a sociedade, a economia, o sistema político. Em Portugal, estamos há tempo demais a assistir a um país e um mundo em forte mudança convencidos que o “sistemazinho” se vai manter no mesmo “rame-rame” do costume. Os partidos e políticos atuais não conseguem mexer uma vírgula nem na ortodoxia orçamental de Bruxelas, à qual se rendeu há muito a esquerda e a própria extrema-esquerda, nem mexer uma palha no “contrato societário” que decretou há muito a liberdade total a nível de costumes, em que a direita cobarde se rendeu às causas fraturantes e concordou em destruir o que restava de princípios morais e tradições religiosas trazidas do passado, criando, de braço dado com a esquerda dos interesses, um novo modelo em que natalidade, maternidade, paternidade são ideias obsoletas e o sexo à la carte, aliado do consumo de massas e do alheamento dos cidadãos, se tornou a pedra de toque da sociedade. O lema político dos últimos anos foi: quanto menos família melhor, quanto menos filhos melhor, quanto mais aberrações melhor, quanto mais consumo desenfreado melhor. Uns, poucos, enriquecem, outros, os portugueses, endividam-se e aguardam que o Estado trate deles quando chegar a velhice e a doença. Sem renovação de gerações, sem rejuvenescimento algum, sem sustentabilidade económica.

Será que não se arranja um líder político, um só, um único, seja de que quadrante for, que proponha, preto no branco, um regresso de Portugal aos seus valores, às suas raízes, aos seus princípios? Que tenha a coragem de separar o trigo do joio, que trate as coisas pelos seus nomes, que acabe com a vergonha de um sistema político cheio de números de circo, de prestidigitação, de malabarismos, de teatro, de “tauromaquia política”.

Cavaco Silva tem razão quando diz que Portugal não precisa de mais autoestradas mas de mais crianças. Portugal investiu milhares de milhões em estradas, pontes, túneis, renovação urbana - e ainda bem. Portugal - lamentavelmente - suportou, nos anos recentes, milhares de milhões de prejuízos dos desmandos de banqueiros-políticos e políticos-banqueiros. Portugal suporta, também, anualmente, milhares de milhões em pensões, proteção na saúde, proteção no desemprego. Para que esses milhares de milhões sejam possíveis, é necessário uma economia sólida e próspera e em constante renovação, o que passa pelo mercado de trabalho e pela sua “infraestrutura” demográfica. Uma ponte Vasco da Gama é um investimento a 50 anos, uma auto estrada é um investimento a 30 anos, túneis, vias férreas, aeroportos, são apostas para décadas. Porque não apostar a sério na natalidade? O retorno é a 20 ou 30 anos? Sim, mas sem ela, tudo vai por água abaixo. Apostar na natalidade é fundamental mas não é atirar migalhas às famílias como se atira um osso a um cão. É muito mais do que isso. E exige, antes de mais, uma mudança de mentalidade, na população em geral, nos políticos em particular, em favor da vida. Trata-se de uma mudança de paradigma, indispensável para que os jovens percebam que têm que colaborar com o seu próprio futuro, constituir família, construir família, não apenas tirar cursos superiores para se tornarem consumidores superiores. É preciso combater e reprimir atitudes irresponsáveis, a nível sexual como a nível escolar ou a nível social. E promover comportamentos saudáveis e uma cultura de respeito. Se os políticos acharem que isso é fácil e que bastam palavras, não se metam. É preciso mudar o discurso político do vale tudo mas é preciso, sobretudo, traçar o caminho revertendo todas, uma por uma, as leis e normas fraturantes que foram sendo aprovadas ao longo de anos, a começar no aborto - e não vale a pena aos políticos “esconderem-se” por detrás do referendo de 2007 -  e a acabar na droga ou nas barrigas de aluguer. E evitar que outras venham, como a eutanásia, a PMA, a legalização da prostituição. Se e quando a mentalidade mudar, verão, então, que vai valer muito a pena investir dinheiro nas famílias, apoiá-las ao máximo, ajudá-las ao máximo.

Editor do Site

Novembro 2018