1 Ceuta

Recuemos dois mil anos por um momento… A Bíblia, no evangelho de São Mateus, diz: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e comeram-nas. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”…A imigração só produz resultado favorável para ambas as partes, para quem vem e para quem está, para quem recebe e para quem é recebido, quando o terreno está preparado, em termos sociais e económicos. Foi assim nos anos 60 por toda a Europa com imigração de sul para norte em direção a França, à Alemanha. Foi assim com Portugal, e com todos os países da bacia do mediterrâneo... 

O discurso dominante na Europa acusa governos, partidos e movimentos anti-imigração de falta de humanismo, de nacionalismo retrógrado, de xenofobia, racismo… Acolher a imigração, em termos abstratos e ideológicos, seria, de acordo com a visão aberta da Europa e do mundo, não só uma obrigação política mas uma vantagem, a prazo, para a economia e a sociedade em que vivemos. Quanto à distinção entre imigração de massas, imigração legal ou clandestina, refugiados de guerra ou meramente económicos, os conceitos facilmente se misturam e rapidamente se entra no exercício habitual de demonização dos governos húngaro e italiano, dos movimentos de direita, ou de extrema-direita, na clivagem política entre partidos e países “bons” e “maus”…

Recuemos dois mil anos por um momento… A Bíblia, no evangelho de São Mateus, diz: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e comeram-nas. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”…

A imigração só produz resultado favorável para ambas as partes, para quem vem e para quem está, para quem recebe e para quem é recebido, quando o terreno está preparado, em termos sociais e económicos. Foi assim nos anos 60 por toda a Europa com imigração de sul para norte em direção a França, à Alemanha. Foi assim com Portugal, e com todos os países da bacia do mediterrâneo, da Turquia e Grécia a Espanha e Marrocos, que nesses anos de grande prosperidade enviaram milhões de trabalhadores que foram fazer a sua vida por essa Europa fora. A mistura funcionou bem na época porque os ingredientes estavam na sua devida proporção. A um afluxo importante de trabalhadores e de suas famílias correspondia uma economia dinâmica e com vontade de crescer. Hoje a maior parte dos países desenvolvidos para onde se dirige a emigração, em particular na Europa, vivem num sistema económico estagnado, numa sociedade envelhecida, com grandes dificuldades em mudar e regenerar-se. A chegada de mais e mais imigrantes com o natural objetivo de utilizarem os mecanismos de apoio e sistemas de proteção social europeus, são uma carga adicional para o sistema, a suportar por muitos que estão já no limiar das dificuldades. Os trabalhadores migrantes, normalmente com baixa qualificação, vão auferir retribuições muito baixas na agricultura ou em trabalhos domésticos, para além de todos os que se integram na economia paralela e subterrânea. Seja por via de remunerações que quase não contribuem fiscalmente, seja por via de trabalho clandestino ou mesmo de atividades ilícitas como droga e prostituição, acabam por ser, no curto e no médio prazo, um peso adicional para o sistema.

A razão de fundo da incapacidade da economia europeia para não conseguir digerir o afluxo de refugiados e migrantes é, portanto, efetivamente, a falta de fertilidade do terreno económico, a falta de flexibilidade da sociedade, a falta de dinamismo demográfico. E esta infertilidade, esta rigidez, esta inércia, não é mais do que o resultado de uma sociedade que, durante anos e anos a fio, se habituou a rejeitar todas as promessas de vida, e toda a renovação de gerações, que lhe eram oferecidas. Uma sociedade que se virou totalmente para o consumo presente e se esqueceu de construir o futuro não pode pretender hoje acolher vagas e vagas de migrantes quando durante décadas se mostrou incapaz de acolher os seus próprios filhos. Por isso dizemos: a falta de hospitalidade e generosidade que agora muitos criticam é um total contrassenso com a falta de humanidade e moralidade que sempre defenderam.  

Editor do Site

Maio 2019