1 Guia de Voto

"...Desta feita, não houve censura. Quase toda a comunicação social dá conta do quadro de questões postas pela FPV e das respostas (ou falta delas) dos diferentes partidos consultados. Bem sei que, em geral, é para tentar pôr em cheque o Patriarcado. Mas é como diz o povo: escreve Deus direito por linhas tortas."

Há muitos anos que a Federação Portuguesa pela Vida faz estes questionários em todas as eleições, a respeito de temas da sua agenda e do interesse dos seus associados. Quando estive na actividade política, também recebi questionários desses, algumas vezes, para responder.
Não é verdade que os quadros-síntese das respostas contenham recomendações de voto em A, B ou C. É óbvio que é lícito presumir o pensamento da Federação sobre esses temas, até porque justamente não o esconde. Mas é mentira afirmar e escrever que a FPV faça propaganda a favor do partido A, B, ou C ou contra o partido E, F ou G. Podia fazê-lo, embora fosse um erro. Mas, que me recorde, nos questionários e na sua divulgação, não o fazia. Apresentava as questões e as respostas de cada um, incluindo por vezes as em branco.
É um trabalho cívico e de informação pública, normal e relevante. É importante para o eleitorado, independentemente da posição de cada um. É tão lícito como perguntar sobre a prospecção de petróleo no Algarve, ou a preocupação com as alterações climáticas, ou a protecção do lince da Malcata, ou as propinas nas Universidades, ou o TGV, ou o que for. As associações daqueles que se interessam perguntam, os partidos respondem se quiserem. O eleitorado fica mais esclarecido sobre a substância das coisas e não apenas sobre a última zaragata do dia. Os questionários ou instrumentos similares são muito importantes, porque permitem que a cidadania também tome parte na formação e na gestão da agenda democrática.
Algumas vezes, ao longo dos anos, ouvi pessoas da Federação queixarem-se de que, nos períodos eleitorais, embora comunicassem as respostas aos questionários com pedido de divulgação, a generalidade da comunicação social silenciava-os. Era uma espécie de censura. E a censura é uma coisa má. Em rigor, a censura também gera, pelo silêncio, "fake news".
Porém, a emergência das redes sociais e o seu uso mais frequente vieram mudar o estado das coisas e reduzir a brutalidade de um quadro de comunicação muito desigual e discriminatório. Hoje, a FPV (como outros) pode publicar directamente os seus comentários, informações e observações, nomeadamente as respostas a estes questionários. E estas informações podem ser facilmente replicadas.
Alguém, na página do Patriarcado de Lisboa, replicou a informação do último quadro da Federação Portuguesa pela Vida. O Patriarcado já declarou que se tratou de uma imprudência e o "post" foi removido. Também creio que foi uma imprudência, mas é mentira dizer que o Patriarcado apelou ao voto em quem quer que seja. Nem a Federação o fez no "post" original. Embora, como disse, as posições desta sejam conhecidas, assim como também o é o pensamento da Igreja.
De tudo, fica um saldo positivo.
Desta feita, não houve censura. Quase toda a comunicação social dá conta do quadro de questões postas pela FPV e das respostas (ou falta delas) dos diferentes partidos consultados. Bem sei que, em geral, é para tentar pôr em cheque o Patriarcado. Mas é como diz o povo: escreve Deus direito por linhas tortas.