Agência Ecclesia - 9 Nov 04
Vaticano pede aposta nos cuidados paliativos e condena o recurso à eutanásia

O Vaticano defendeu hoje que os cuidados paliativos são a solução para evitar o recurso aos extremos da eutanásia ou do encarniçamento terapêutico.
 
“Os cuidados paliativos são cuidados proporcionados, destinados a procurar devolver a vida, mas, sobretudo, a melhorar a qualidade da vida mental, social e espiritual do paciente, de modo a permitir-lhe enfrentar da melhor forma o último momento da vida, o mais importante”, disse o Cardeal Lozano Barragán em conferência de imprensa.
 
A posição foi assumida hoje na apresentação da XIX Conferência Internacional do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, que terá como tema, precisamente, “Os Cuidados Paliativos”.
 
O Cardeal Barragán condenou os que apontam a eutanásia como solução, bem como “os que tentam, de maneira dolorosa e inútil, prolongar uma agonia em que já não há resposta do doente”.
 
A Conferência Internacional decorrerá de 11 a 13 de Novembro, no Vaticano, com o objectivo de estudar as questões “cada vez mais angustiantes” sobre a etapa terminal da vida do homem. O Papa irá apresentar a sua posição sobre o tema na audiência aos participantes.
 
O encontro começará por indagar “o sentido cristão da dor” e a finalidade dos cuidados paliativos, um ponto de partida que contará uma leitura teológica-pastoral sobre a “Salvifici Doloris”, a cargo do presidente do Dicastério organizador. Após esta visão geral, será apresentada uma descrição do panorama mundial dos cuidados paliativos.
 
Outra fase de reflexão irá questionar o acompanhamento terapêutico e a proporção dos cuidados paliativos. A Conferência inclui um diálogo inter-religioso sobre os cuidados paliativos nas grandes tradições religiosas além do Cristianismo: Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo.
 
A terceira parte da conferência, dedicada à acção no campo dos cuidados paliativos, começará por abordar a “renovação dos sacramentos dos doentes”. A reflexão segue para uma análise da “pesquisa médica actual”.