Infovitae - 30 Out 04
Director Informação RR apoia Campeão Políticos Abortista
Nuno Serras Pereira
 
1. No programa “Sal e Pimenta” de hoje na Rádio Renascença (Rádio Católica Portuguesa) Francisco Sarsfield Cabral, director de informação da RR, manifestou, a que propósito!?, o seu apoio a John Kerry.
 
2. Para um católico, e para qualquer pessoa de boa vontade, há princípios e valores inegociáveis. Entre estes encontram-se, seguramente, o direito à vida, desde a concepção até à morte natural, e a família, fundada no matrimónio entre um varão e uma mulher, numa comunhão de vida una, indissolúvel, fiel e aberta à geração e educação dos filhos.
 
3. O candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, dizendo-se católico, contradita frontalmente estes pontos advogando a legalização do “casamento” entre homossexuais e a consequente adopção de crianças; apoiando a liquidação de seres humanos inocentes através da investigação, sempre letal, em células estaminais embrionárias e promovendo, como nenhum outro candidato à Presidência na história dos USA, a liberalização total do aborto. Kerry, não só tem um recorde de votações lúgubres nesta questão, prometendo não nomear juízes pró vida  para o Supremo Tribunal, se ganhar as eleições, como foi o único candidato na história dos USA a receber o apoio explícito das maiores e mais radicais organizações abortófilas, e, como se não bastasse, garante introduzir, novidade absoluta nos USA, a comparticipação dos estados nos abortos realizados, obrigando assim todos os cidadãos a participarem na matança dos bebés nascituros através dos seus impostos. A sentença Roe v. Wade que abriu as portas ao aborto a pedido em 1973 é responsável pela chacina de 40 milhões de bebés em 30 anos. É isto que Kerry promove entusiasticamente. É isto que não comove o director de informação da RR – será porque como disse Estaline “uma morte é uma tragédia mas um milhão de mortos é uma estatística”? Nem o demove o facto das numerosíssimas intervenções de bispos, arcebispos e cardeais apontarem a gravíssima ilicitude e imoralidade da posição de Kerry e ensinarem que um católico não pode votar num homem que defende estas causas. Não lhe importam nem os documentos da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o assunto, nem a recente carta do cardeal Ratzinger, nem as abundantes intervenções do Papa João Paulo II, em especial a encíclica Evangelium Vitae, tudo esclarecendo que um católico não pode ter a posição que o director de informação da rádio católica (?) tem em relação a um político como Kerry.
 
Bush cortou com os fundos para a promoção do aborto a nível internacional e graças a isso, como está bem documentado, agora têm chegado serviços de saúde e alimentação onde antes só chegava a morte através do eufemismo “saúde reprodutiva”; promete eleger juízes pró vida para o Supremo Tribunal, com a consequente possibilidade de reverter a iníqua e diabólica decisão Roe v. Wade; não aceita que o casamento seja redefinido e luta por uma emenda à Constituição que reconheça a verdade do mesmo, rejeita, ainda, a destruição de seres humanos na sua fase inicial, através da experimentação em embriões.
 
4. É certo que há uma série de outros assuntos, certamente importantes, em que um católico ou qualquer pessoa de boa vontade pode estar mais de acordo com Kerry de que com Bush: as políticas de guerra, de saúde, de ensino, de habitação, etc. Mas estes são temas sem equivalência moral com os outros de que tratámos anteriormente; são questões que devem ser deixadas ao juízo prudencial dos políticos e dos eleitores. Pode haver, e é bom que haja, diferenças de opinião, de perspectivas, uma salutar discussão que pode abrir novos caminhos, através da fecundação mútua de ideias, e gerar empenhamentos maiores na resolução dos problemas. Não assim com as questões relativas ao direito à vida e à família, uma vez que estamos perante absolutos éticos que salvaguardam bens intrínsecos, que têm de ser tutelados e dos quais não se pode abdicar.
 
5. O senhor Francisco Sarsfield Cabral é livre de ter as opiniões que muito bem entender, se bem que delas dará contas a Deus e deve estar pronto para aceitar as consequências eclesiais das suas posições. O director de informação da RR é que não pode afrontar a doutrina da Igreja, ainda para mais em temas tão essenciais como estes. Obviamente que estas atitudes terão como consequência, entre outras coisas, desviar os ouvintes da verdade e dificultar o seu discernimento nas eleições vindouras.
 
6. Verifico com imensa tristeza que a RR continua a banalizar sinistramente a mentalidade abortista. Tenho esperança que o povo cristão não fique indiferente ou temeroso, mas que diga de sua justiça e que os responsáveis pela estação ponham termo a tão graves abusos.