Portugal Diário - 22 Set 04
Governo holandês ordena inquérito à Women on Waves 
Rita Seabra Gomes  
 
Associação Maternidade e Vida diz que Rebecca Gomperts admitiu praticar aborto cirúrgico a bordo do Borndiep. Partidos políticos e associações holandesas também vão apresentar queixa

A Secretária de Estado da Saúde holandesa pediu um inquérito à actuação da organização Women on Waves (WOW) em Portugal.

A Associação Portuguesa Maternidade e Vida (APMV) assegurou ao PortugalDiário que foi pedida, na quarta-feira, uma inspecção de saúde e um parecer sobre o chamado «barco do aborto».

Depois da visita de uma delegação à Holanda, Francisco Rocha, presidente da APMV, garante que os deputados holandeses estavam envergonhados com a situação. «Todos os deputados que nos receberam disseram que estavam envergonhados», conta.

«A comunicação social holandesa não deu importância nenhuma ao assunto porque ninguém sabe quem é esta senhora», afirma. «Nos contactos que fizemos apercebemo-nos que a WOW não representa nada na Holanda», denuncia.

Numa entrevista dada no passado domingo ao jornal brasileiro O Globo, Rebecca Gomprets admitiu que praticava aborto cirúrgico a bordo do Borndiep. No entanto, durante a permanência do «Barco do Aborto» ao largo da costa portuguesa, Gomperts negou sempre essa prática.

«Usamos aspiração através de um pequeno tubo que chega ao útero. As mulheres recebem anestesia local. Ou então damos dois medicamentos seguros e eficazes administrados com acompanhamento médico», admitiu Rebecca ao jornal brasileiro.

Francisco Rocha acusa ainda Rebecca Gomperts de ter «mentido» sobre a autorização que dizia ter do governo holandês para praticar medicina no Borndiep. «Ela nem sequer tem autorização para fazer nada a 25 quilómetros do hospital onde exerce em Amesterdão».

De acordo com a Associação, a lei holandesa diz que, para se poder abortar, a mulher tem de fazer primeiro uma consulta. Depois são-lhe dados sete dias para reflectir sobre o assunto. Durante esse tempo, a lei prevê que lhe sejam apresentadas alternativas ao aborto e, só esgotadas estas alternativas, é que se avança para a interrupção voluntária da gravidez.

Durante esta semana, alguns partidos políticos e três associações pro-vida holandesas vão também fazer chegar ao governo do país as suas posições e queixas contra Rebecca Gomperts e a WOW.