Público online - 01 Mar 04
A dois dias do debate sobre a interrupção voluntária da gravidez
Aborto: movimento entrega ao PCP petição "a favor da vida" com 125 mil assinaturas

Lusa

O movimento "Mais Vida, Mais Família" reuniu-se hoje com o grupo parlamentar do PCP a quem apresentou uma petição "a favor da vida" com 125 mil assinaturas, no âmbito da discussão parlamentar sobre o aborto que irá decorrer na próxima quarta-feira na Assembleia da República.

O movimento pede ao Parlamento e ao Governo que aprovem o reforço da protecção da vida, um regime legal de protecção jurídica de cada ser humano na sua fase embrionária, iniciativas legislativas de promoção da família e medidas concretas de defesa da vida e da dignidade de cada ser humano, em particular de apoio à mãe grávida em dificuldade e ao recém-nascido.

O documento foi entregue por vários elementos do movimento, entre os quais Pedro Líbano Monteiro, para quem "esta foi uma petição praticamente clandestina, porque não foi divulgada por ninguém, nem teve qualquer divulgação pela comunicação social".

"Mesmo assim a petição conseguiu reunir, no espaço de um mês, mais de 125 mil assinaturas de pessoas anónimas, o que demonstra a força e a vontade dos portugueses", adiantou.

A este propósito, comparou com iniciativas semelhantes de grupos que têm diferentes posições sobre a IVG e que, apesar de terem mais divulgação, não reuniram tantas assinaturas.

Para Pedro Líbano Monteiro, esta é mais uma surpresa numa matéria que, aquando do referendo sobre a despenalização do aborto, surpreendeu os "bem-pensantes".

Sobre a legislação em vigor, Teresa Aires de Campos, igualmente do movimento "Mais Vida, Mais Família", disse que esta "é uma discussão de propostas de lei que visam piorar uma lei que já não é perfeita", numa referência às excepções para a IVG com que o movimento não concorda.

Para o movimento, "o importante é mudar a mentalidade das pessoas e que esta se reflicta na lei". "Todas as vidas são positivas", disse, acrescentando que "uma coisa que é intrinsecamente má [o aborto] deve ser punida por lei".

Do encontro de hoje com o PCP, o movimento salientou o conhecimento que os comunistas demonstraram sobre a matéria e frisou a abertura dos dois lados - entre o partido e o movimento - no sentido da construção de soluções a partir dos pontos comuns que levem à tomada de medidas concretas.