Agência Ecclesia - 18 Fev 04
Associação de médicos católicos assume posição pública no debate sobre o aborto
 
O Tribunal de Aveiro absolveu ontem, por falta de provas, os 17 arguidos que estavam a ser julgados pela alegada prática de aborto clandestino, entre os quais um médico. A decisão constitui um novo desenvolvimento em torno do debate sobre o aborto, que para os médicos católicos não deve passar por cima do direito fundamental à vida.
 
Maymone Martins, presidente da Associação dos Médicos Católicos, afirmou hoje que “esta querela, que se instalou com grande intensidade nos Media, tem dado grande importância ao papel da mãe, mas esquece a vida do filho”.
 
À Agência ECCLESIA, este responsável assegura que “a solução destes problemas não se alcança apenas por um dos lados”, dado que a problemática é complexa e não tem apenas uma componente.
 
“Em qualquer dos casos, a vida das crianças é sempre perdida quando se interrompe uma gravidez”, vinca.
 
O desafio para os portugueses, enquanto sociedade organizada, será o de saber se querem que a lei reflicta ou não “o empenhamento em promover e proteger a defesa da vida, desde o seu início”, aponta Maymone Martins.
 
“Julgo que há muitas camadas da sociedade portuguesa que defendem esta posição e assim se exprimiram, no referendo de 1998”, acrescenta.
 
A contestação ao resultado dessa consulta popular, promovida por vários sectores da sociedade portuguesa, mereceu também um comentário do presidente da Associação dos Médicos Católicos: “apesar de o destaque ser sempre dado à abstenção e à divisão, a verdade é que esses dados devem fazer-nos concluir que há, nos portugueses, uma grande perplexidades e uma grande dúvida”.
 
“Vejo também aqui uma desvalorização da importância da vida na sociedade portuguesa, na sua cultura, e nós gostaríamos de chamar a atenção para que a vida seja respeitada, como direito fundamental que tem de ser defendido desde os primeiros instantes até ao fim natural”, concluiu.

ORDEM DOS MÉDICOS
O colectivo de juizes, em Aveiro, concluiu que o aborto ilegal era a principal actividade do clínico envolvido no processo, mas não considerou provado que ele o tivesse praticado no caso concreto das arguidas. Germano Sousa, Bastonário da Ordem dos Médicos, mostrou-se preocupado com a situação das mulheres envolvidas neste processo, revelando a sua satisfação “por terem sido absolvidas”, mas adiantou aos jornalistas a intenção de levantar um processo de inquérito ao médico que “vive à custa do aborto”.