Diário Digital - 15 Jan 04
Mulheres em Acção querem campanha sobre riscos do aborto
Francisco Mota Ferreira

A Associação Mulheres em Acção quer que, à semelhança das campanhas que existem sobre os riscos da SIDA e da toxicodependência, as pessoas sejam informadas dos riscos que as mulheres correm quando se decidem por uma interrupção voluntária da gravidez (IVG).

Esta associação pró-vida está esta quinta-feira a ser ouvida por vários deputados na Assembleia da República, numa acção que pretende «chamar a atenção dos deputados para o dever urgente de promoverem diagnósticos sérios e profundos sobre as causas e consequências de um aborto, como medida prévia e preliminar de qualquer eventual nova legislação sobre esta matéria».

Em declarações ao Diário Digital, Cláudia Müller, das Mulheres em Acção, confessa que «seria óptimo que os políticos pensassem sobre o aborto, que vissem o que acontece nos países onde esta prática é livre».

Exemplificando, Müller fala mesmo em casos provados de aumento do número de mulheres que fizeram a IVG e a quem é diagnosticado cancro da mama e de mortes que surgem por complicações pós-operatórias. «É bom que não queiramos substituir um problema de saúde por outros», avisa a mesma responsável para quem a estratégia passa por «informar, informar, informar».

E porque o fenómeno do aborto «é uma realidade», as Mulheres em Acção entendem que é altura de encarar o problema de frente. Por isso defendem a necessidade de se criar uma campanha – à semelhança das que existem para a toxicodependência e a SIDA – onde as pessoas sejam alertadas dos riscos da IVG.

A associação, que está na Assembleia da República a ser ouvida por alguns deputados, de quem têm tido uma boa receptividade. De acordo com Cláudia Müller, há a convicção, entre os deputados, que «sem estudos e dados não se pode alterar absolutamente nada».