Educação sexual nas escolas
 
 Exmª Srª Directora da revista “PAIS&filhos”,
 
Fui testemunha presencial de uma acção de “formação” da APF (Associação para o Planeamento Familiar), que decorreu numa sessão inserida nas jornadas da juventude do concelho de Mafra. O público alvo foram os alunos dos 7º e 8º anos. Por mero acaso, tomei conhecimento da mesma e resolvi assistir juntamente com uma amiga.
 
Eis o que observámos: depois de um filme aparentemente consensual que apresenta, com naturalidade, a sexualidade humana nos seus aspectos físicos (homem e mulher) e psicológicos (o crescimento da criança e a sua evolução), surgiu o momento das perguntas e respostas.
 
Qual não é o nosso espanto, quando percebemos que as perguntas – aliás bastante apimentadas pela sub-cultura televisiva – são devolvidas, com excepção das de Bê À Bá, àqueles que as colocam, com um à-vontade que considero, na perspectiva – que é a minha – de uma mãe, verdadeiramente arrepiante. Cito apenas um exemplo para ilustrar: Pergunta: “O que é sexo oral?”. Resposta: “O que achas tu que é sexo oral?”!!!
 
E por aí fora, sempre a piorar, num driblar de pergunta-resposta, muito semelhante a um jogo de ténis, ou “toma lá tu a batata quente”.
 
Conclusão: A) Pede-se a um adolescente que explique uma realidade que ele não compreende. B) Devolve-se a pergunta porque quem está ali a “formar” não se quer comprometer, porque não deve, nem se calhar pode (tiravam-lhe o subsídio), por isso também não forma coisíssima nenhuma. Cria-se no adolescente a maior confusão, desde “estarão a reinar comigo?” até “esta gaja quer que eu faça figura de parvo à frente do pessoal?”. Ou pior: “ela não sabe” ou “não se importa nada connosco. Veio ganhar o dela”.
 
Solução: entreguem essa tarefa a quem de direito, que se importa, que ama e não tira benefícios económicos nenhuns: OS PAIS.
 
Porém, o espanto dos espantos ainda estava para vir.
 
Aquela primeira fase não correu lá muito bem, como ficou sobredito, e não necessita de mais explicitações, por isso, num repente, passamos dos órgãos sexuais das meninas e dos meninos e das perguntas provocadoras sem resposta, leia-se, fases da informação e da mais absurda confusão, para afirmações do mais perigoso que pode haver.
 
Exemplos: “Se tiverem dúvidas sobre sexualidade, vão ter com as enfermeiras do centro de saúde” e “O preservativo é o único meio 100% eficaz contra a SIDA”..
 
Embora esteja a alongar-me, peço-lhe encarecidamente que não corte o que, por ser verdade, vou expôr a seguir.
 
A própria UNFPA[1], contrariamente ao que parece ser uma das conclusões do estudo científico do qual se fez “caixa” no artigo da V. prestigiada revista,[2] que tem investido milhões nos direitos e saúde dos adolescentes, admitiu em Setembro passado que “promover os preservativos como proporcionando 100 por cento de protecção, pode inadvertidamente encorajar comportamentos de alto risco”[3] 
 
Um estudo científico realizado recentemente, “Sex, Condoms, and STDs: What We Now Know”[4] (Sexo, Preservativos e Doenças Sexualmente Transmissíveis: O que sabemos) levado a efeito pelo The Medical Institute for Sexual Health (Instituto Médico para a Saúde Sexual) revê as conclusões de todas as investigações significativas sobre a capacidade dos preservativos reduzirem e em que termos o risco das DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis). O estudo é assinado por vários peritos americanos especialistas em Doenças Sexualmente Transmissíveis e na investigação de preservativos.
 
Eis algumas conclusões do referido estudo:
 
·         Os preservativos ainda que utilizados 100 por cento das vezes não eliminam o risco de nenhuma DST incluindo o vírus da SIDA.
·         Não há prova científica de qualquer redução do risco de transmissão da infecção pelo vírus papiloma humano (HPV). Este vírus é responsável por 90% do cancro cervical em mulheres.
·         A transmissão da Sífilis é reduzida de 29 a 50%, deixando 50 a 71% de risco de infecção.
·         A transmissão da Gonorreia é reduzida aproximadamente em 50% deixando 50% de risco de infecção.
·         O transmissão do Vírus da SIDA (HIV) é reduzido em aproximadamente 85%, deixando um risco de 15% de infecção!!! E, como todos sabemos, a SIDA é uma doença mortal.
·         Para cerca de VINTE Doenças Sexualmente Transmissíveis não existem dados suficientes para afirmar se os preservativos oferecem ou não alguma redução do risco de transmissão sexual.
Conclusão: A única maneira 100% eficaz de eliminar o risco de transmissão do vírus da SIDA é a fidelidade recíproca ao companheiro ou companheira de toda a vida. Não existem panaceias, remédios, preservativos ou o que quer que seja que substitua a fidelidade. É a verdade nua e crua, por muito que custe aos responsáveis da APF.
 
Finalmente: as primeiras pessoas com quem os adolescentes com dúvidas devem ir ter são os PAIS. Não as enfermeiras do posto clínico, por muito competentes que sejam. São os PAIS que se preocupam com os filhos, porque, salvo horríficas excepções, os amam incondicionalmente e querem o melhor do mundo para eles, designadamente uma sexualidade sã e feliz, vivida no tempo certo, sem queimar etapas importantes.
 
Muito obrigada.
Com os meus melhores cumprimentos,
Ana Teresa Barquinha Luis da Silva
 
[1] Fundo para a População das Nações Unidas.
[2] Aliás, numa modesta investigação on-line, verifiquei que os autores do referido estudo expressamente referem a limitação dos resultados ao período em que durou a campanha, não abrangendo o “depois”, não sendo, por isso, resultados absolutos.
[3] fonte: Relatório 2003 da UNFPA sobre a população do Mundo.
[4] Este estudo pode ser consultado no site: www.medinstitute.org