Lusa - 13 Jan 04
Aborto
Mulheres em Acção querem sensibilizar sobre consequências de "pesadelo"

 
Lisboa, 13 Jan (Lusa) - A associação Mulheres em Acção iniciou hoje, com a distribuição de panfletos em frente à Assembleia da República, uma campanha de sensibilização sobre os riscos que sofrem as mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez.

Esta associação Pró-Vida resolveu iniciar a campanha "Se a gravidez é um problema, o aborto é um pesadelo" porque não há estudos nem informação suficiente sobre as consequências para quem pratica um aborto, disse à Agência Lusa Madalena Simas, uma das organizadoras.

A campanha de sensibilização vai decorrer nos próximos dias pelos locais mais movimentados de Lisboa, com o auxílio de um jipe e de uma coluna de som, que grita "O aborto destrói-nos. A mulher tem de ser protegida do aborto...".

Hoje de manhã três elementos da associação estiveram durante cerca de uma hora junto à Assembleia da República, onde conversaram e distribuíram panfletos aos transeuntes, sensibilizando-os para os riscos da interrupção voluntária da gravidez.

"Antes de se realizar qualquer referendo sobre o aborto é preciso que as pessoas estejam bem informadas sobre as nefastas consequências psicológicas da realização da interrupção voluntária da gravidez", adiantou à Lusa Madalena Simas.

A associação tem já marcadas diversas audiências com deputados do PSD para que o Governo faça um "levantamento sério de todas as consequências do aborto".

Quanto a um eventual referendo sobre o aborto, Madalena Simas diz-se contra "porque não se devem repetir as consultas até que o seu resultado seja o que os seus organizadores pretendem".

Contudo, caso se venha a fazer outro referendo, as Mulheres em Acção querem que se pergunte aos portugueses se concordam com a revogação da Lei de 1984, que permite a prática da interrupção voluntária da gravidez em determinados casos.

Questionadas sobre o julgamento relativo à prática de aborto clandestino que hoje prossegue em Aveiro, envolvendo 17 acusados, Madalena Simas diz não concordar que as mulheres que interromperam a gravidez sejam condenadas.

"Não queremos que as mulheres vão para a prisão", mas "não somos a favor da liberalização, porque o que é necessário é evitar que as mulheres recorram ao aborto", adiantou.

"Liberalizar é dizer: façam o aborto, o que nós contestamos", acrescentou Madalena Simas.

Ainda a propósito do julgamento de Aveiro, Madalena Simas critica a "palhaçada" que se está a viver hoje com as manifestações promovidas principalmente pelos partidos de esquerda, que fazem do aborto uma bandeira.

"Vivemos numa democracia, é importante dizer que o aborto é uma das práticas das ditaduras, como o nazismo e o comunismo", adiantou.

A associação Mulheres em Acção está formada há cerca de três anos e engloba "homens e mulheres, algumas arrependidas por terem praticado aborto", contou a mesma fonte.

A associação pretende ajudar as mulheres que sintam dificuldade em falar sobre o aborto e ajudar também aquelas que o praticaram, acrescentou Ana Teresa Barquinha, da associação.

SB.