Público - Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2003
"Defesa da Vida" É Prioridade da Nova Coordenadora para a Família
Por ANA CLOTILDE CORREIA

Margarida Gonçalves Neto tomou ontem posse em Lisboa

A nova coordenadora nacional para os assuntos da família, Margarida Gonçalves Neto, destacou "a defesa da vida" como uma das suas prioridades, comprometendo-se na luta contra o aborto, embora não defenda a criminalização das mulheres que o pratiquem. A médica psiquiatra e terapeuta familiar comprometeu-se a desenvolver medidas para prevenir o aborto, começando por dar visibilidade "a todos os centros de apoio a grávidas".

Margarida Neto elegeu como principal objectivo da sua coordenação a elaboração de "um plano de apoio à família que dê consistência, transversalidade e orientação às acções" do Governo. Também o primeiro-ministro Durão Barroso, que presidiu à tomada de posse, no Palácio Foz, em Lisboa, destacou o "carácter transversal e transministerial" das questões da família.

A coordenadora considera que o novo Código Laboral é benéfico para a família, ao contemplar uma "protecção clara às mulheres grávidas", ao permitir que as faltas dos pais sejam justificadas para que estes se desloquem à escola dos filhos e por permitir que uma mãe trabalhe a tempo parcial durante um ano.

Apesar de olhar a família "com optimismo" e recusar a ideia de que é uma instituição em crise, Margarida Gonçalves Neto está preocupada com os problemas dos casais e quer "prevenir o divórcio". Nesse sentido, quer apostar na "mediação familiar" e na sua componente de "aconselhamento conjugal e familiar".

Margarida Gonçalves Neto salientou também como orientações da sua coordenação a promoção de "uma justiça fiscal eficaz e clara na defesa da família", "a ajuda a famílias em situação de dificuldade", "a formação parental", "o estudo das razões e das medidas para travar a grave descida da taxa de natalidade" e a "inclusão do idoso".

A nova coordenadora nacional para os assuntos da família assumiu simultaneamente a gestão de dois novos organismos: o Observatório e o Conselho Consultivo para os Assuntos da Família.