J 1 Aliana

Qualquer abanão que permita acordar o monótono e sonolento sistema político português é bem-vindo na medida em que a política nacional tem cada vez menos vigor, criatividade, capacidade de encontrar soluções para problemas sérios, e cada vez mais unanimismo prático – sob a capa de meia dúzia de discursos inflamados e levemente dissonantes. É meritório o empreendedorismo político de quem se lança numa aventura ousada como a de criar uma plataforma política nova de raiz. O Congresso do Aliança, com uma galeria bem composta de representantes oriundos dos 4 cantos do país, mostrou que, nesse aspeto, a aposta, para já, funcionou.

Dito isto, vale a pena fazer um comentário e um reparo. Portugal não precisa de mais partidos, a somar aos que já existem, para clamar que a carga fiscal é insuportavelmente alta, que os serviços públicos estão num estado de degradação inaceitável, que as listas de espera da saúde são a negação prática do SNS, que não há isto, que não há aquilo, e que tudo vai de mal a pior. Não precisamos de 20 partidos mais a dizer todos os dias o que é óbvio para os cidadãos que sentem os problemas na pele. Já em relação ao diagnóstico e à radiografia do país, no domínio das causa profundas dos desequilíbrios a que assistimos, era importante colocar mais o dedo na ferida e fazer uma análise corajosa das principais doenças nacionais. No seu Congresso o Aliança nem se dignou mencionar o problema estrutural que é a demografia e nem uma palavra disse sobre a outra face do problema que é o envelhecimento em Portugal. Deste modo, se durante a maratona de discursos políticos de Évora, sobre a realidade nacional, não conseguiram identificar e apontar um problema estrutural tão crítico e tão óbvio como este, como serão os “tratamentos” e as reformas estruturais a implementar se algum dia estiverem próximos da governação? Seria bom que o Aliança rapidamente abrisse os olhos e, caso se queira diferenciar da restante mediania partidária, visse com olhos de ver como pode o país encarar de frente questões de base, questões de fundo, como a defesa, a sério, da família natural e a defesa da vida, da natalidade, da maternidade e paternidade, a sério, em Portugal.

E. do S.