1 Narco Gallegos

O semanário Expresso publicou durante o mês de abril diversos artigos de fundo, com grande destaque no corpo principal do jornal, acerca do papel extremamente relevante que Portugal, a seguir a Espanha, desempenha no tráfico de droga da América Latina para a Europa. Os artigos denotam um nível muito sofisticado de investigação por parte do jornal e dos autores e versam sobre as ligações de cartéis mexicanos, colombianos e brasileiros, a Portugal e à Europa, e sobre as diversas rotas a partir do México ou da Colômbia, Venezuela, Brasil, com escalas na África Ocidental ou em Marrocos, e destinos finais em várias placas giratórias europeias. Que Portugal e Espanha são grandes portas de entrada de droga para a Europa do Norte ninguém tem duvidas. Que cada vez o consumo é maior no nosso país, também não. Que o país em geral, e a superestrutura política nacional em particular, convive despreocupadamente com esta situação, lamentavelmente parece que sim. Que o ambiente social, sempre mais e mais libertário, em todos os domínios, e conducente à desculpabilização-discriminalização-despenalização de todos os comportamentos aditivos, seguindo a habitual cartilha progressista, dificulta a ação das autoridades policiais e dos tribunais e anestesia a reação da sociedade, é também um facto.

Numa dessas colunas recentes do jornal Expresso, denominada “Batata quente – perguntas impertinentes” – o jornalista Hugo Franco questionava mesmo: “Portugal é a principal entrada de droga na Europa?” Em qualquer caso, para além do interessante contributo do Expresso para a análise deste tema, sugere-se também, a quem quiser saber mais em concreto o ponto de situação dos últimos anos numa das zonas de Espanha com grande proximidade ao nosso país, o livro “Narco Gallegos” (2018), da autoria do jornalista Victor Méndez Sanguos: um relato com datas, nomes, locais, factos, ligações, conexões, apreensões, mecanismos, contentores, pesqueiros, veleiros, submarinos… Grupos, clãs, cartéis, montantes em toneladas de cocaína e em biliões de euros, enfim, tudo, aqui ao virar da esquina, e durante os últimos 10-20 anos, e parte dos dados bem recentes.