G Charles de Gaulle Mai 68

Pode uma menina com trissomia 21, Anne de Gaulle, ter tido um papel relevante, na Segunda Guerra Mundial, na salvação da França, e da Europa, face aos nazis? Um dos fatores pessoais determinantes da rejeição absoluta do General de Gaulle pelo nazismo, e do seu combate às forças alemãs durante toda a II Guerra - ao contrário do que fez a França colaboracionista de Pétain - teria sido, de acordo com alguns biógrafos e historiadores, um impulso de sobrevivência de um pai perante a família ameaçada, no caso o receio fundado de que a filha Anne, portadora de trissomia 21, fosse morta pelos ocupantes nazis, como era prática corrente em relação a crianças “mongoloides”.

Entre os estadistas do século XX, na Europa e no mundo, ninguém negará o lugar destacado do General Charles de Gaulle. O seu percurso cruza-se com a história mundial desde o início do século até 1970, ano da sua morte. Combateu e foi feito prisioneiro de guerra no auge da I Grande Guerra, com 26 anos. Combateu como militar no início da II Guerra Mundial, ascendendo a general. Em 1940 opõe-se determinantemente ao armistício do Marechal Pétain com os alemães e é condenado à morte pelo regime de Vichy. Como líder das “Forces Françaises Libres”, foge para Londres, a partir de onde prepara, em conjunto com os aliados, as contra-ofensivas contra os nazis. Com a retirada dos alemães de Paris em 1944, é recebido triunfalmente nos Campos Elísios, onde discursa e faz o balanço de 5 anos de catástrofe, de acordo com as suas palavras: “Paris ultrajada, Paris destroçada, Paris martirizada mas Paris libertada”. Iniciado o pós-guerra e a reconstrução, mas sendo o regime político francês demasiado partidarizado e parlamentarizado, o homem que libertou a França retira-se da política. Passados 10 anos, em meados dos anos 50, a situação da França, a nível político, degrada-se, em parte pela guerra na Argélia, em parte pela desorganização político-partidária interna. O General regressa e propõe um regime presidencialista que é esmagadoramente sufragado em referendo. Nascia verdadeiramente o Gaulismo, que durou 10 anos de 1959 a 1969. Na reta final, em maio de 1968, depois de um mês de caos em Paris e por toda a França, que o governo do primeiro-ministro Georges Pompidou não conseguia debelar, é mais uma vez o General de Gaulle que impõe a sua autoridade. Depois de assegurar o apoio dos militares e das suas cúpulas, discursa à nação e ordena, sem margem para recuos, o restabelecimento da ordem pública e o regresso ao trabalho dos franceses. Seguem-se manifestações gigantescas de apoio a de Gaulle e uma vitória retumbante nas urnas. Um ano depois, contudo, quando o General pretendia lançar uma nova reforma de todo o sistema político, muito abalado a todos os níveis, pelo maio de 68, o seu projeto é rejeitado em referendo e de Gaulle retira-se, definitivamente, falecendo um ano mais tarde.

E. do S.

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Trisomie 21 : ce que De Gaulle pourrait apprendre au gouvernement français

Nous savons beaucoup de choses sur le général De Gaulle. Mais beaucoup ignorent que le combat qu’il a mené contre le nazisme était étroitement lié au handicap de sa fille.

Novembre 2016. Le conseil d’état validait la censure par le CSA d’un clip diffusé par M6, “Chère future maman”. Ce clip était visiblement “susceptible de troubler” les femmes qui avaient eu recours à l’interruption médicale de grossesse suite à un diagnostic prénatal de trisomie. Il parlait pourtant simplement du bonheur que ces enfants pouvaient apporter à leur mère.

BreakPoint fait écho à cette décision, et rappelle la vision de Charles de Gaulle pour interpeller le gouvernement français.

Anne était la plus jeune fille de Charles et Yvonne de Gaulle. Son père disait qu’elle était “une enfant pas comme les autres”. A l’époque, on disait “mongole”. Les enfants atteints de trisomie étaient généralement mal considérés et placés dans des asiles. Mais la famille de Gaulle n’a eu de cesse de prendre soin d’Anne.

“Dieu nous l’a donnée. Nous sommes responsables d’elle, où qu’elle soit, quoiqu’elle fasse.”, disait son père.

Et d’après le docteur Samuel Gregg, l’engagement de Charles de Gaulle contre le nazisme a tout à voir avec son combat pour protéger sa fille.

“De Gaulle a refusé de se rendre en 1940 et a été considéré comme un traître par les élites politiques et militaires françaises. C’était probablement l’acte d’un homme profondément patriotique qui refusait la soumission de son pays aux nazis. Mais cet acte de résistance concernait aussi la protection de sa fille sans défense face à ceux qui la considéraient comme moins qu’un humain.”

Des vies indignes de vivre. Voilà comment les nazis considéraient les enfants atteints de trisomie. Ils étaient tués par injection létale au nom de l’eugénisme. Charles de Gaulle savait que sa fille connaitrait cette issue si elle tombait aux mains des nazis. Il l’a toujours refusé.

Anne de Gaulle est finalement morte des suites d’une pneumonie, entourée de sa famille aimante. Après sa mort, Charles et Yvonne ont ouvert une fondation, dirigée par des soeurs, pour prendre soin “des enfants qui ne sont pas comme les autres.”

M.C.