J NY Abortion Law Foto: o momento em que Andrew Cuomo, Governador do Estado de Nova Iorque, assina a lei que permite o aborto durante toda a gestação

Qualquer notícia vinda dos Estados Unidos é normalmente dissecada e comentada com extraordinário fervor pelos cosmopolitas analistas europeus. A imprensa portuguesa não é exceção, claro. Atentados, descarrilamentos, nevões, são noticiados permanentemente. Declarações e posições de Trump sobre o muro, sobre o shutdown, sobre a Venezuela são constantemente analisadas e escrutinadas, em detalhe, normalmente com dois objetivos: demonstrar aos leitores ou espectadores um profundo conhecimento do mundo e dos EUA e simultaneamente explicar-lhes pela centésima vez porque razão a Administração Trump tem sempre posições erradas, nefastas e retrógradas. A notícia da legalização do aborto sem prazos no Estado de Nova Iorque não foi praticamente noticiada fora dos EUA e muito menos comentada, com poucas exceções. Em Portugal idem. O silêncio da imprensa sobre o assunto é, no mínimo intrigante: Será que a realidade dos EUA deixou de interessar ao público? Será que o tema de um proto-infanticídio legal é demasiado “progressista” e demasiado “avançado” e que a opinião pública europeia não está mentalmente preparada para este avanço civilizacional e pode reagir mal? Será que os abortistas europeus, e os seus apoiantes nos media, consideram o tema demasiado escaldante e difícil de gerir e justificar? Será que pressentem uma armadilha de onde nunca mais conseguirão sair? Para os ideólogos e teóricos do aborto, onde poderá estar a diferença, afinal, entre umas poucas semanas antes ou depois? Não será porventura mais “humano” deixar uma criança falecer “pacificamente” na sala de partos do que esquartejá-la ou envenená-la às 10 semanas?

Sobre os Novos Herodes do nosso tempo, leia-se o artigo de José Maria Seabra Duque no blogue “Nós os Poucos”.

http://nosospoucos.blogspot.com/

Aborto em Nova Iorque: Que Deus lhes perdoe!

José Maria Seabra Duque

30/1/2019

Há assuntos que são de tal maneira horrendos que é difícil escrever sobre eles. Assuntos de tal maneira bárbaros que há um certo pudor em comenta-los publicamente. Assuntos tão inqualificadamente malignos que só de pensar neles ficamos angustiados. Contudo, apesar do horror, do pudor e da angústia não podemos ficar em silencio diante do mal.

O Congresso do Estado de Nova Iorque aprovou uma lei que permite o aborto até ao fim da gravidez. Até esta lei em NI “só” se podia abortar até às 24 semanas de gravidez. Agora até a criança nascer pode ser legalmente morta. A “desculpa” é o perigo de saúde para a mãe. Evidentemente é uma desculpa absurda, porque abortar um bebé a partir das 24 semanas (quando já tem hipótese de sobreviver fora da barriga da mãe) é tão ou mais perigoso do que simplesmente fazê-lo nascer.

Por isso aqui o que se trata é de dar poder de vida e de morte à mulher sobre uma criança que já está totalmente formada. De facto, pode acontecer o absurdo de uma mulher ter um aborto marcado, a criança nascer de urgência e por isso já não poder ser morta. Estava marcada para morrer, mas como teve sorte de nascer antes do aborto já tem total protecção jurídica.

Pior do que a aprovação desta lei foi a festa que se lhe seguiu. A festa chegou a tal ponto que o governador de NI mandou iluminar de cor-de-rosa vários edifícios de NI, incluindo o novo World Trade Center. Pelos visto para os políticos de Nova Iorque permitir a morte de crianças totalmente formadas é um motivo de festa.

Esta lei é de tal maneira bárbara que não tenho palavras para a descrever. Só me lembro de Cartago, onde bebés eram oferecidos em sacrifícios aos deuses para pedir protecção. Voltamos de facto a esses tempos bárbaros onde se sacrificam bebés para satisfação dos adultos.

Naquilo que escrevo tento sempre ser contido, ponderado, compreender o outro lado. Neste caso não consigo. Não consigo perceber como alguém é capaz de não só apoiar, mas de festejar uma lei que permite matar inocentes. Novos Herodes, exercendo o seu poder manchados com o sangue dos inocentes. Que Deus lhes perdoe!